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as fases do desenho na infância

Publicado por

Maria Clara

A arte de desenhar e as fases do desenho, na infância

O desenho, historicamente e em diferentes culturas, é uma forma de linguagem utilizada como meio de expressão.  Na infância, além de relacionar-se à expressividade da criança, o desenho possibilita a brincadeira – um dos eixos estruturantes da Educação Infantil. Desse modo, quando a criança desenha, ela brinca de registrar um momento, uma ação, um sentimento, enfim, sua percepção de mundo. Para nós, profissionais da educação, o desenho torna-se um instrumento valioso de aprendizagem da criança, pois implica na passagem de fases no desenvolvimento infantil. Para entender sobre as fases do desenho, na infância, estudos de pedagogos e psicólogos nos trazem a seguinte referência:

De 1 a 3 anos – Fase das garatujas: sem controle motor, os simples “riscos” ultrapassam os limites do papel e a criança movimenta todo o corpo para realizar seus traçados.  À medida que a criança vai avançando em seu desenvolvimento, as linhas longitudinais dão lugar aos movimentos circulares e, ao final dessa fase, podem surgir os primeiros indícios de figuras humanas, como cabeças com olhos.

De 3 a 4 anos – Nesta fase, a criança costuma apresentar um bom domínio das formas e já tem intencionalidade de reproduzir algo em seus desenhos, conseguindo respeitar mais os limites do papel. O grande marco dessa fase é a possibilidade de representação da figura humana com pernas, braços, pescoço e tronco.

De 4 a 5 anos – Fase em que a criança passa a registrar imagens clássicas como objetos do dia a dia, paisagens, animais, super-heróis, personagens de desenhos animados,  buscando aproximar-se da realidade, inclusive no uso das cores. À representação da figura humana já acrescentam mais detalhes como cabelos, pés e mãos, além de ampliar as noções espaciais como o céu no alto da folha e o chão abaixo.

De 5 a 6 anos – Aqui, os desenhos apresentam roteiros (começo, meio e fim) e os registros das figuras humanas apresentam ainda mais detalhes como peças do vestuário, acessórios e cores. Podemos dizer que a criança avança em sua capacidade de interpretar e de contar histórias sobre o mundo.

De 7 a 8 anos – Nesta fase, marcada pelo realismo, a criança apresenta-se muito crítica em relação aos seus desenhos. Aparecem aqui as noções de perspectiva, de profundidade e de distância.

A exploração do desenho, na infância e na Educação Infantil, é de extrema importância para o desenvolvimento de habilidades nas áreas cognitiva, motora e socioemocional, pois, por meio dele, proporcionamos à criança imprimir seu jeito de perceber a si mesma e ao outro, externalizando sua visão de mundo e suas emoções. Desse modo, o ato de desenhar traz para as crianças as possibilidades de brincar, de tecer narrativas e de registrar com suas marcas a percepção sobre tudo que as cerca.

É importantíssimo que a criança desenhe diariamente e livremente, explorando materiais e contextos diversos. Desse modo, o (a) professor (a) deverá proporcionar às crianças o contato com diferentes manifestações artísticas no desenho e nas obras de artes em geral, no sentido de nutri-las com informações e estimulá-las no desenvolvimento do grafismo. No momento do desenho, as crianças também devem ser estimuladas a fazer a “leitura” de suas produções e a ouvir as de seus colegas, o que contribuirá para que possam construir suas narrativas, refletir sobre suas ideias e reformulá-las, de modo a elaborar novos conhecimentos.

O desenho, na infância, é uma janela que se abre para o mundo da criança, o qual ela terá a oportunidade de explorar com as pontas dos dedos.

Elisana Andréia Cardoso
Coordenadora Pedagógica Bilboquê Buritis