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educar pelo exemplo

Publicado por

Maria Clara

Educar pelo exemplo: uma função da escola ou da família?

Este texto traz como ponto central um tema no qual acredito bastante: educar pelo exemplo. Para começar, desmistificaremos dois pontos importantes sobre o “Educar”. O primeiro diz respeito à definição. Para além do senso comum, educar é uma ação, uma atitude para promover a educação e estimular reflexões acerca de comportamentos nos âmbitos intelectual, social e ético. Neste sentido, desmistificamos o segundo ponto: educar é função da escola ou da família?

Entendo que cabe tanto à família no sentido de orientar, formar, dar direcionamento moral e social, quanto à escola, que deverá despertar nos alunos o desejo de aprender e de compreender conceitos e contextos de aprendizagens utilizados na vida prática. É importante dizer que tudo que é aprendido em ambas as esferas traz marcas e consequências para toda a vida.

Na verdade, educar é papel de todos. Essa afirmação deriva do fato de que o ser humano naturalmente necessita aprender. Aprendemos com pessoas e culturas semelhantes ou diferentes da nossa. Pode acontecer em casa, na escola, no trabalho e em outros setores aos quais temos acesso.

A partir desta perspectiva, entramos com a ideia de que a principal forma de aprender é pelo exemplo, ou seja, observando o outro, se o que ele fala é coerente com a forma como se comporta diante das situações. Se os pais se tratam por meio de gritos e palavras pouco cordiais, certamente, esse modelo será reproduzido pelos filhos, mesmo que ouçam que esses comportamentos não são adequados. Assim como não adianta pedir para os filhos guardarem o celular na hora das refeições, se o exemplo não parte dos adultos.

Trazendo a discussão para o espaço escolar, o professor que é visto pelos alunos lendo um livro, provavelmente, obterá melhor resultado quando falar sobre a importância da leitura. No dia a dia da escola, já ouvi muitos relatos das famílias de como as crianças, brincando em casa, imitam seus professores, seus gestos e suas palavras.

Um destes relatos que me marcou muito foi o de uma aluna no shopping, que colocou os pais e a irmã em uma fila e, de frente para eles, andando de costas e batendo as mãozinhas, ia dizendo: “isso mesmo, todo mundo na fila”. Nem seria preciso dizer que as pessoas em volta caíram na gargalhada. À princípio, os pais ficaram um pouco envergonhados, mas foram rendidos pelo encantamento ao ver a filha imitar a professora.

Em relação ao exemplo das lideranças, um gestor educacional organizado, que apresenta no seu dia a dia a capacidade de solucionar conflitos e se mostra cooperativo, terá uma equipe ativa e segura, que tem esse modelo de comportamento para se espelhar. Está comprovado que o ser humano aprende muito mais observando do que ouvindo. Por isto, é necessário que cada pessoa busque diariamente se auto educar, prestar atenção na própria conduta e nos gestos diante das situações surgidas. Isso porque, sem perceber, estamos sendo observados.

Educar pelo exemplo causa um impacto direto nas relações com nossos familiares, alunos, colegas de trabalho e outras pessoas de forma geral. Afinal, “as palavras movem, os exemplos arrastam.” Bons exemplos são os principais “marketings” de uma pessoa. Seu nome e suas características são visíveis nos espaços de convivência e, uma vez que deixam marcas positivas nas pessoas que cruzam o seu caminho, muito provavelmente, serão sempre respeitadas e bem recebidas.

Imaculada C. Braga Campos
Psicóloga Bilboquê Buritis