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Espaços provocativos

Publicado por

Maria Clara

Espaços provocativos: um instrumento de conhecimento e aprendizagem

De repente, uma caixa vira um vagão de trem, uma vara se transforma em uma espada; um bloco de madeira, um carrinho; latas, panelinhas… Partindo do princípio da criatividade e da habilidade em elaborar estratégias simbólicas nas quais o elemento “simplicidade” pode tomar o corpo de conhecimento e aprendizagem, precisamos entender a importância dos espaços provocativos no contexto da educação.

Se a criança, com um simples objeto, integra-se ao ambiente, revisitando-o com novas maneiras de usá-lo, imagine quando um professor produz cenários e espaços provocativos! Crianças apresentam características variadas, mas o espírito investigativo de descobertas, de questionamentos, do toque, de movimentos faz parte de seu mundo.

Provocar pedagogicamente é estruturar ambientes com materiais que despertam o interesse, o desejo, a vontade, a curiosidade, os diálogos, as trocas de papeis, favorecendo novas buscas e transformações. Os espaços podem ter intenções livres ou não, dependendo da intencionalidade do professor.

Espaços com múltiplos materiais favorecem a dinâmica de envolvimento, de cooperação, de apoio à ideia do outro, de reorganização para que cada um aprenda a estruturar e dar função educativa ao que se usa.

Ambientes com pedras, pedaços de madeira, retalhos de tecidos, folhas, plantas, gravetos, caixas, materiais reutilizáveis podem e devem despertar a atenção das crianças. Podemos estimulá-las com conversas, com perguntas, pois, dependendo da idade, irão abstrair e criar conexões cerebrais baseadas em suas experiências e internalizar a aprendizagem por meio da criação de textos, diálogos escritos, poemas, entre outros portadores.

Cada criança é um ser que pensa, tem interesse, curiosidade e quanto mais oferecemos materialidade e experiências lúdicas, mais impulsos serão gerados. É importante o professor estar atento ao perfil do grupo, promovendo a autonomia e a capacidade que cada um tem de construir seu próprio conhecimento para transformá-lo e desfrutá-lo funcionalmente.

Entendemos que a aprendizagem só traz significados se for compreendida. Os materiais por si só e sem intencionalidade perdem o caráter e o valor pedagógicos. Então, por que a criança dá função a um objeto? Porque suas experiências e vivências a transformam em um ser que pensa e os espaços integram amigos, amplia a cultura e o pensamento. Assim, a intenção do professor contribuirá enormemente, graduando as expertises relacionais, emocionais e cognitivas das crianças.  

É, assim, a cada dia, a cada ano, com seus olhares, com suas buscas, envolvendo-se no mundo infantil, que, com a energia vital de cada um, a infância é vivida plenamente. 

Cabe aos professores e aos pais atentarem-se para a busca de ambientes saudáveis e harmoniosos, remetendo ao gosto infantil. Meu desafio? Criar espaços provocativos!

Maria Claret Lamounier Elias
Diretora Pedagógica