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O eu o outro e o nós

Publicado por

Maria Clara

“O eu, o outro e o nós”: a habilidade de entender diferentes pontos de vista

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece para a Educação Infantil cinco campos de experiências com uma abordagem interdisciplinar, dentre eles “O eu, o outro e o nós”. Esse campo contempla o autoconhecimento, a construção de relações, a criação de vínculos sociais, o sentimento de pertencimento e de coletividade, a diversidade cultural e o respeito às diferentes formas de pensar e de agir do outro. Desse modo, quanto mais cedo a criança participa de dinâmicas de vivências em diferentes contextos sociais (a escola é um deles!), sua compreensão de mundo avança e sua autoestima se desenvolve.

Na escola, entendida como o primeiro espaço de socialização onde as crianças começam a compartilhar experiências, a desenvolver o sentimento de empatia e a compreender o funcionamento das regras de convivência, o papel dos professores e dos demais profissionais é estimular e orientar as boas relações no dia a dia.

Atualmente, as questões que dizem respeito ao desenvolvimento socioemocional da criança têm sido amplamente divulgadas e estimuladas no contexto escolar por meio de práticas educacionais que a auxiliem a entender a relação entre pensamentos, sentimentos e desejos, tanto do outro quanto de si mesma. Nessa perspectiva precisamos, a priori, entender como a criança da Educação Infantil pensa e age na resolução de conflitos.

Reagir corporalmente (empurrar, morder, bater), fazer birras ou fugir da situação são exemplos de como as crianças tentam resolver as situações desafiadoras nas relações com seus pares ou com os adultos de seu convívio social. Tais comportamentos são coerentes com a fase de desenvolvimento dessa faixa etária, porém as intervenções que os adultos, em especial os professores, fazem nesses momentos devem favorecer o avanço da criança em relação à construção de  estratégias de relacionamento interpessoal.

A compreensão do processo de desenvolvimento das crianças e a observação de como elas interagem durante as brincadeiras e demais vivências pedagógicas são essenciais para que o professor faça suas abordagens com assertividade. Desse modo, podemos dizer que a escuta atenta que fazemos de nossas crianças norteia nossas ações e permite que as ajudemos a estabelecer relações saudáveis no ambiente escolar.

A intervenção do professor durante a rotina escolar deve propor caminhos que conduzam as crianças para o entendimento de situações do convívio social, propiciando a construção do olhar pela perspectiva do outro. Dito isso, fica evidente que o ato de intervir em momentos de conflito – quando uma criança deseja o mesmo brinquedo que a outra, por exemplo – deve ajudá-la, num primeiro momento, a usar a linguagem das palavras para expressar seu desejo e seu sentimento. Outra forma de intervir nessa situação é auxiliá-la na escuta do colega, permitindo e favorecendo que ela identifique o desejo e o sentimento dele.

É importante ressaltar que, como todo processo, a construção de habilidades socioemocionais avança um pouco a cada dia e a cada situação, uma vez que a criança buscará agir sempre na tentativa de satisfazer os próprios desejos. Assim, é imprescindível o uso do diálogo constante como ferramenta para a mediação de conflitos e desentendimentos entre as crianças. “O eu o outro e o nós” e a habilidade de entender diferentes pontos de vista.

A utilização de recursos variados como histórias, jogos e brincadeiras no dia a dia escolar permite, além das abordagens cognitivas, a criação de espaços de reflexão em que é possível ceder um pouco do nosso lugar para o outro.

O protagonismo da criança em todos os momentos e ambientes de aprendizagem possibilita, além da aquisição de conhecimentos e da construção da autonomia baseada na autoestima, o desenvolvimento de habilidades comunicativas, o que, sem dúvida, é uma formação essencial para toda a vida adulta e profissional.

Elisana Andréia Cardoso
Coordenadora Pedagógica da Bilboquê Buritis