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Os campos de experiências na Educação Infantil

Publicado por

Maria Clara

Os campos de experiências na Educação Infantil

A BNCC (Base Nacional Comum Curricular), tendo como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, estabelece a organização curricular em cinco campos de experiências e orienta que as práticas pedagógicas na escola devem acontecer pautadas na intencionalidade das propostas. Nesse intuito, o documento ressalta a importância das experiências cotidianas para a aprendizagem e o desenvolvimento de todas as crianças, incluindo os bebês.

A organização curricular da Educação Infantil por campos de experiências coloca a criança no centro do processo de aprendizagem, imergindo-a em práticas sociais e culturais organizadas por meio das brincadeiras e das interações presentes na rotina escolar.  Desse modo, cada campo de experiência deve ser explorado a partir de um planejamento que contemple uma escuta ativa das crianças, integrando cada proposta aos interesses e às ideias do grupo. Cada intervenção pedagógica realizada com a turma precisa promover aprendizagens significativas às crianças, de modo que elas integrem as informações e descobertas ao seu modo de pensar e de agir sobre o mundo.

É importante destacar que as intervenções pedagógicas orientadas pelos campos de experiências fazem parte de todos os momentos e ambientes da rotina escolar, por meio de diferentes contextos de aprendizagem desde a chegada da criança à escola até a sua saída. Isso significa que essa interação ocorre durante a acolhida e a despedida das crianças, nas rodas de conversas, nas brincadeiras na área externa, nos cuidados com a higiene e alimentação, na contação de histórias, na exploração de diferentes materiais, nas comemorações festivas e tantos outros momentos que fazem parte do cotidiano escolar. Desse modo, o professor, ao planejar as vivências para a sua turma, precisa pensar nos campos de experiências de forma integrada.

Resumidamente, vamos elencar como cada campo de experiência estimula as aprendizagens na Educação Infantil:

O eu, o outro e o nós: empatia (colocar-se no lugar do outro), expressão de sentimentos e ideias, reflexões sobre as ações, cuidados pessoais, brincar coletivamente, construção da identidade e da autonomia, respeito às diferentes opiniões e aos diferentes modos de ser e de agir do outro.

Corpo, gestos e movimentos: expressar-se corporalmente, ampliar o desenvolvimento motor, o equilíbrio, fortalecer o tônus muscular, jogar jogos de imitação, reconhecer o próprio espaço e o do outro.

Traços, sons, cores e formas:  coordenação motora, ritmo, evolução do traçado (desenho, escrita), sequência lógica e pensamento criativo.

Escuta, fala, pensamento e imaginação: organização e expressão das ideias, reconto e dramatização de histórias, vivências de situações cotidianas, consciência fonológica, leitura e escrita.

Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações: noção de tempo, espaços, medidas, propriedade dos objetos, percepção do meio ambiente e de eventos da natureza.

A forma como os campos de experiências organiza as aprendizagens na infância orienta o professor no planejamento de sua prática pedagógica diária.  Além disso, esse arranjo curricular para a Educação Infantil permite a elaboração de intervenções voltadas para os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento – Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se – oportunizando as iniciativas, os interesses e o jeito próprio de agir das crianças. No dia a dia na escola, é fundamental que haja uma imersão da criança em vivências que lhe permitam avançar em seu processo de aprendizagem e desenvolvimento, tendo as interações e a brincadeiras como eixos estruturantes de todo seu percurso educativo.  

Finalmente, é preciso destacar que a organização das aprendizagens na infância por meio dos campos de experiências traz sentido e significado às situações que a criança vivencia na escola e efetiva a construção do conhecimento, uma vez que houve uma mudança de foco do currículo para a Educação Infantil, ou seja, da perspectiva do professor para a perspectiva da criança.

Elisana Andréia Cardoso
Coordenadora pedagógica Bilboquê Buritis